O samba que
o Povo Jamais Esqueceu.
Por Flávio Trindade de Almeida(reprodução de reportagem do
Jornal Meia Hora de Domingo , 16/09/2012.
Quatro lendas do samba se reencontraram pela primeira vez,
desde que entraram para a história como os autores do samba-enredo “Liberdade,
Liberdade! Abe as Asas sobre nós”, qu deu o título do Carnaval de 1989
à Imperatriz Leopoldinense. Preto Joia, Niltinho Tristeza, Vicentinho e
Jurandir foram à quadra da escola de Ramos relembrar o sucesso e comemorara a
escolha do hino da Verde e Branca como tema de abertura da novela das seis da
TV Globo, Lado a Lado, que estreou n segunda-feira.
“Soube com um mês de antecedência que o Liberdade seria tema da
novela. Os produtores entraram em contato comigo, e todos ficamos muito
felizes. É uma coisa que nos dá orgulho”, festeja Preto Joia, revelando que era
a primeira vez que os quatro se reuniam desde 1989, “Encontrávamos um ou outro
separadamente, ou aqui mesmo na quadra, mas os quatro juntos é a primeira vez
desde a comemoração daquele título”.

PARCERIA AO ACASO QUE
PODE VOLTAR A SE REPETIR 25 ANOS DEPOIS.
Reunião de sambista que se preze tem de ter história. E não
foi diferente com esses bambas. Apesar do sucesso retumbante, Liberdade
não era um dos favoritos na escolha dos sambas da Imperatriz, e a parceria do
quarteto foi feita ao acaso. Éramos eu, Vicente e Niltinho. Só depois chegou o
Preto Joia, que fazia parceria com Zé Catimba e Flavinho, que tinham vencido a
eleição no ano anterior. Era o elemento que faltava pra gente”, conta Jurandir.
‘Foi como trocar o Flamengo pelo olaria”, ri preto Joia. ‘Perguntavam se eu
estava maluco, mas digo que foi uma coisa divina. Nossa Senhora da Penha me
levou até esses caras”.
No entanto, o sucesso jamais foi repetido. Apesar de
vitórias individuais, os quatro nunca mais compuseram novamente juntos. Algo
que pode mudar para 2014. “ Serão 25 anos do Liberdade. Quem sabe
poderemos nos juntar novamente pra compor? , sugere Vicentinho.
Hino Garantiu a
Vitória da Imperatriz sobre “Ratos e Urubus”.
Se Existe alguma dúvida de que samba ganha título, Liberdade
está ai para comprovar que sim. Em 1989, Imperatriz e beija Flor fizeram
desfiles memoráveis. A escola de Ramos cantou o centenário da proclamação da
republica, sobe o comando do Carnavalesco Max Lopes; enquanto a de Nilópolis
surpreendeu com Ratos e urubus, Larguem minha fantasia, de Joãosinho Trinta.
Empatadas até o fim, a vitória da Verde e Branca veio justamente no quesito
Samba-enredo. “As duas escolas foram nota 10 na Avenida. Durante a apuração
fdoi uma tensão, mas quando chegou a hora de desempatar no quesito
samba-enredo, nós sabíamos que seria nosso”, orgulha-se Niltinho Tristeza. Os
quatro autores do samba histórico recusam o rótulo de lendas do Carnaval”.
“Quando nos reuníamos lá em 1988, eramos apenas quatro caras que gostavam de
samba. E hoje nossa recompensa é o samba ser cantado”, afirma Jurandir.
Samba
Enredo 1989 - G.R.E.S.
Imperatriz Leopoldinense (RJ)
Liberdade, Liberdade! Abra as asas sobre nós
Vem, vem, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria, mãe querida
O império decadente, muito rico, incoerente
Era fidalguia
Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão
Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí
O centenário em poesia
Nesta pátria, mãe querida
O império decadente, muito rico, incoerente
Era fidalguia
Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão
Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí
Da guerra nunca mais
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu de cultura o Brasil
A música encanta e o povo canta assim
Pra Isabel, a heroína
Que assinou a lei divina
Negro, dançou, comemorou o fim da sina
Na noite quinze reluzente
Com a bravura, finalmente
O marechal que proclamou
Foi presidente
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu de cultura o Brasil
A música encanta e o povo canta assim
Pra Isabel, a heroína
Que assinou a lei divina
Negro, dançou, comemorou o fim da sina
Na noite quinze reluzente
Com a bravura, finalmente
O marechal que proclamou
Foi presidente
Liberdade, liberdade!
Abra as asas sobre nós (bis)
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz
Abra as asas sobre nós (bis)
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz
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